Mercado Financeiro

Contextualização

 

O ano de 2014 iniciou trazendo muitas incertezas para os analistas e investidores. O ano de 2013 trouxe por terra todas as expectativas de maior redução na taxa de juro. Num ano em que a taxa Selic iniciou em 7,25% e encerrou em 10% ao ano, trouxe bastante volatilidade para os mercados. A volatilidade dos mercados permaneceu alta em 2014, somadas ainda a grandes eventos como Copa do Mundo e Eleição para presidente, e deterioração da atividade econômica.

No cenário externo, quando o ano começou, a economia chinesa, dos Estados Unidos e da Europa não davam sinais muito animadores. Os sinais de recuperação da economia norte americana ainda não eram fortes o suficiente para uma mudança na condução da política monetária adotada pelo Federal Reserve – FED (Banco Central Norte – Americano). No primeiro trimestre, os Estados Unidos registraram uma queda de 2,9%, confirmando que sua recuperação ainda seria lenta (no final do ano, contudo, o país teve um crescimento de 5% no terceiro trimestre, após revisão, o maior resultado do país nos últimos 11 anos). Ao longo do ano os dados do mercado de trabalho apresentaram melhora significativa com redução expressiva da taxa de desemprego. O Comitê de Política Monetária do Banco Central Americano (FOMC) encerrou o programa de compra de ativos, conhecido como QE3, em sua reunião do final de outubro. O programa previa a partir de setembro de 2012 a injeção de US$ 85 bilhões mensal, através de compras de títulos públicos e ativos lastreados em hipotecas imobiliárias. O FOMC manteve a taxa de juros entre 0% e 0,25% ao ano.

Do outro lado do Atlântico, a Zona do Euro permanecia com a economia bastante fraca e o alto risco de deflação. O Banco Central Europeu – BCE implementou algumas medidas de relaxamento monetário para reanimar a economia e reduzir o risco de deflação. Além disso, a guerra entre Rússia e Ucrânia pela região da Crimeia trouxe instabilidade política já que mesmo não aprovando a guerra os países europeus são dependentes do petróleo russo. A Rússia também sofreu com a queda do preço do petróleo, seu principal item de exportação, obrigando o governo a cortar gastos. A moeda russa, o Rublo, sofreu desvalorização de 49% levando o governo a elevar a taxa básica de juros de 10,5% para 17% ao ano.

Perto dali, a China apresentou crescimento do PIB de 7,4% em 2014, menor percentual em 24 anos, e pela primeira vez em 16 anos não alcançou a meta estabelecida pelo Governo, que era de 7,5%. Esse crescimento confirmou a desaceleração da economia chinesa e a perda de fôlego de um modelo de desenvolvimento baseado nas exportações e no baixo custo, que valoriza o crescimento acima de qualquer outro critério.

No Brasil, economistas previam um ano difícil para o desempenho econômico em 2014, com eleições e Copa do Mundo. Havia aumentado a apreensão em relação às contas públicas e ao desempenho da indústria.

A divulgação do PIB de -0,2% para o primeiro trimestre, aliado com a queda da indústria de 0,8%, retração no consumo das famílias de 0,1% e queda de 2,1% nos investimentos, gerou expectativas pessimistas para o PIB dos próximos trimestres quando poderiam apresentar variação negativa. A queda do PIB em dois trimestres consecutivos determinaria “recessão técnica” da economia. A recessão técnica veio a se confirmar na divulgação do PIB do segundo trimestre com a queda de 0,6%. No entanto, este período de crescimento negativo foi superado no terceiro trimestre do ano com o PIB apresentando um crescimento tímido de 0,1%.

A Copa do Mundo apesar de sua magnitude prejudicou as vendas no varejo. O mês de junho que normalmente apresenta crescimento nas vendas devido ao dia dos namorados também foi prejudicado pelo inverno mais fraco. No entanto, o mundial também contribuiu positivamente, apesar da redução da jornada de trabalho que afetou a indústria e o comércio, devido aos feriados criados para o evento. O setor de Serviços foi estimulado, por meio de hotéis e restaurantes.

A inflação ultrapassou a meta definida pelo governo para 2014 em quatro meses seguidos. A meta é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos (entre 2,5% e 6,5%). Em agosto, setembro, outubro e novembro, a alta dos preços em 12 meses ficou acima de 6,5%.

 


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Após as eleições, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros (Selic) duas vezes seguidas. Na última, em dezembro, ela passou de 11,25% para 11,75%, a maior desde agosto de 2011. A Selic é uma taxa de referência para o mercado. Ela é usada, entre outras coisas, para tentar controlar a inflação. Com o aumento, o governo tentou também recuperar a confiança do mercado já que a imagem do governo federal já estava bastante desgastada.


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Para os investimentos em renda fixa, em sua maior parte a atitude do BACEN (Banco Central do Brasil) acabou provocando a abertura das taxas de juros no curto e longo prazo. No entanto, apesar de toda volatilidade enfrentada, a renda fixa apresentou desempenho positivo no ano, principalmente, os fundos indexados à inflação. O IMA –B, índice composto pelas Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) apresentou retorno de 14,55% em 2014. Como grande parte da carteira de renda fixa da Faelba está alocado neste tipo de ativo, a carteira conseguiu capturar o bom desempenho das NTN-B’s frente ao CDI que encerrou com ganho de 10,82%.


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Com a chegada das eleições, resultados de pesquisas de intenção de votos impactavam na Bolsa e no humor dos agentes econômicos na hora de investir e movimentar a economia. Além disso, os preços das commodities como minério de ferro e petróleo apresentaram forte recuo no mercado internacional impactando as empresas exportadoras.


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O lado microeconômico das empresas também afetou os principais índices da bolsa. Do lado negativo, a Petrobrás foi impactada pelo não reajuste dos preços dos combustíveis agravando a situação financeira da companhia e virou alvo da Operação Lava Jato, tais acontecimento pressionou os preços das ações ordinárias e preferencias para baixo em 37,89% e 37,57%, respectivamente. Do lado positivo, as empresas do setor de educação foram as mais recomendadas pelos analistas, com fluxo de caixa previsível e o programa de financiamento do governo federal para estudantes, o FIES, tornaram o setor atrativo.

Os principais índices da bolsa brasileira encerraram o ano com queda de 2,91% e 2,78%, Ibovespa e IBX, respectivamente.